
Chegando à reta final de nossa série de reportagens especiais sobre o relatório de transição da Prefeitura de Bataguassu, abordaremos agora os problemas encontrados na saúde, educação e um possível crime ambiental. O documento revela um cenário de descaso com o patrimônio público e com a população, com graves problemas de infraestrutura deixados pela gestão Akira Otsubo.
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Transição em Bataguassu revela contratos superfaturados e infraestrutura sucateada
A nova administração da Secretaria Municipal de Saúde se deparou com desafios críticos. O relatório aponta que a infraestrutura das unidades de saúde era inadequada e que muitas delas precisavam de reformas. A própria sede da Secretaria de Saúde estava em situação precária, com baldes e bacias sendo usados para conter goteiras e com o forro do teto apresentando infiltrações.

O relatório detalha os problemas em diversos postos de saúde da cidade, que necessitavam de reforma, limpeza e roçada: ESF Jardim São Francisco, ESF Rubens Kimura (Jardim América), ESF Rita Guardini (central), ESF Dr. Lucio Ferreira da Rosa (Jardim Campo Grande) e ESF Jardim Acapulco. O documento aponta que esses locais tinham a infraestrutura comprometida, com a necessidade de reparos hidráulicos, troca de fechaduras, torneiras, sifões e tampas de vaso. Além disso, havia ausência de equipes completas para o atendimento adequado à população.
O relatório aponta ainda a escassez de materiais e equipamentos essenciais, desde materiais básicos para consultas até equipamentos mais complexos para exames. Um exemplo concreto foi o aparelho de Mamografia sucateado com o serviço suspenso. A Farmácia Municipal também enfrentou sérias dificuldades de abastecimento, com a falta de medicamentos fundamentais para o tratamento de doenças crônicas e emergenciais, comprometendo a saúde da população.

A frota da Secretaria de Saúde, responsável pelo transporte de pacientes e equipes, estava comprometida devido à falta de manutenção e ao péssimo estado de conservação dos veículos. Isso resultou na carência de veículos específicos para o transporte de pacientes, especialmente para longas distâncias, que requerem veículos adaptados com segurança e conforto.
Outro ponto crítico foi a demanda reprimida de serviços. A gestão anterior não conseguiu atender adequadamente a população, resultando em uma lista considerável de pessoas aguardando exames, consultas e procedimentos cirúrgicos. Segundo os próprios médicos especialistas, em outubro de 2024 os agendamentos foram interrompidos, causando filas enormes. A nova gestão precisou organizar mutirões, como o 1º Mutirão da Saúde em janeiro de 2025, para tentar regularizar o atendimento.
Para completar o cenário, a falta de manutenção nos aparelhos de bioquímica do Laboratório Municipal resultou na falha dos equipamentos e na suspensão dos serviços, obrigando o encaminhamento dos pacientes para um laboratório particular credenciado.

Na Secretaria de Educação, a sala do setor de compras e projetos estava em total desorganização, com caixas de arquivos no chão e pilhas de papéis antigos de 2017 a 2023. Em escolas como a Marechal Rondon, os ares-condicionados não funcionavam desde 2022 devido a um transformador inadequado, enquanto no CEI Casa da Vovó Diva era necessária reforma na cozinha e salas de aula, com materiais como portas e janelas abandonados na área externa, podendo atrair animais peçonhentos.

Para completar o cenário de descaso, a equipe de transição encontrou embalagens de inseticida, utilizadas pela Secretaria de Saúde da gestão anterior, descartadas de forma irregular no canil municipal. Um relatório de constatação foi elaborado para apurar a possível caracterização de crime ambiental.
O Relatório de Transição foi encaminhado ao Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul e as inconsistências e irregularidades observadas agora devem ser investigadas pelo Ministério Público.
Esta matéria encerra a nossa série de reportagens sobre o relatório de transição. Os dados aqui expostos, junto com os problemas de infraestrutura e finanças já detalhados nas edições anteriores, mostram os grandes desafios que a nova gestão tem pela frente para reestruturar os serviços públicos e restaurar a confiança na administração municipal.