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PGR pede condenação de Bolsonaro e mais sete por atos antidemocráticos
Segundo a PGR, o grupo teria agido para comprometer a estabilidade do Estado Democrático de Direito
bolsonaro
Foto: reprodução

A Procuradoria-Geral da República (PGR) protocolou, na noite de ontem, as alegações finais do processo que investiga o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete pessoas por suposta participação em atos antidemocráticos após as eleições de 2022. O documento de 517 páginas, entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF), marca a fase final da ação penal antes do julgamento, previsto para setembro.

Segundo a PGR, o grupo teria agido para comprometer a estabilidade do Estado Democrático de Direito, com o alegado uso indevido da estrutura pública. Além de Jair Bolsonaro, são réus:

  • Mauro Cid: tenente-coronel e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
  • Walter Braga Netto: ex-ministro da Defesa e da Casa Civil.
  • Augusto Heleno: ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional.
  • Anderson Torres: ex-ministro da Justiça e Segurança Pública.
  • Paulo Sérgio Nogueira: ex-ministro da Defesa.
  • Alexandre Ramagem: ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
  • Almir Garnier: ex-comandante da Marinha.

A Procuradoria aponta cinco crimes principais:

  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
  • Associação criminosa armada
  • Dano qualificado
  • Deterioração de patrimônio tombado
  • Tentativa de impedir a alternância do poder

As penas previstas para esses crimes podem somar mais de 30 anos de prisão.

No parecer, o procurador-geral Paulo Gonet afirma que Bolsonaro teria sido o principal articulador do grupo, utilizando sua posição para promover questionamentos ao sistema eleitoral e às instituições. O texto da PGR sustenta que as ações foram coordenadas de forma progressiva e sistemática, com o apoio de setores do governo, das Forças Armadas e de órgãos de inteligência.

Gonet enfatizou que a acusação não se baseia em "suposições frágeis", mas sim em fatos documentados em mensagens, gravações e arquivos digitais, que indicariam a tentativa de gerar instabilidade institucional.

Em relação a Mauro Cid, que é delator no processo, a PGR descartou o perdão judicial e sugeriu apenas uma redução de pena. A justificativa é que Cid teria omitido informações relevantes em seu acordo de colaboração.

Com a entrega das alegações finais da PGR, as defesas dos réus têm agora 15 dias para se manifestar. Após essa etapa, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, poderá liberar o processo para julgamento na Primeira Turma do STF, composta também pelos ministros Cármen Lúcia, Luiz Fux, Cristiano Zanin e Flávio Dino.

A expectativa é que o julgamento ocorra ainda em setembro.

fonte: Redação

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