
Após uma semana de intensas reclamações da comunidade devido à falta de água e ao fornecimento de água barrenta na parte alta de Bataguassu, o jornalismo da Nossa FM 100.1 promoveu um debate crucial para exigir respostas da concessionária responsável pelo serviço. A forte repercussão dos problemas, que já vinham sendo denunciados pela emissora e que ecoaram na última sessão da Câmara Municipal, mobilizou autoridades e resultou em cobranças ao vivo na rádio nesta terça-feira (9).
Participaram da entrevista o presidente da Câmara de Vereadores, Enivaldo Marques, e o gerente regional da Sanesul, Adilson Silva Bahia. A vinda do representante da concessionária a Bataguassu ocorreu após o Legislativo acionar o deputado estadual Pedro Arlei Caravina, que intermediou o diálogo direto com a superintendência da empresa para exigir explicações imediatas ao município.
Durante a entrevista na Nossa FM, um ponto gerou forte estranheza. O gerente Adilson Bahia afirmou que, embora os relatos de água suja e desabastecimento estivessem circulando massivamente nas redes sociais, nos microfones da rádio e nos gabinetes dos vereadores ao longo dos últimos dias, a informação "só chegou oficialmente" a ele nesta segunda-feira (8).
Ao detalhar aos ouvintes a causa da contaminação da água, Bahia apresentou duas frentes de investigação técnica. A primeira aponta que a quebra de uma rede de tubulação por parte de uma empresa que constrói um loteamento na cidade — fato ocorrido antes do feriado de Corpus Christi (quinta-feira passada) — pode ter introduzido terra no sistema de distribuição. A segunda hipótese avaliada é o reflexo da substituição de um poço artesiano, realizada na semana retrasada.
Como medida de mitigação, a Sanesul informou ter realizado um procedimento chamado "descarga de rede" (escoamento forçado para limpar o interior dos canos) na segunda-feira e repetido a ação em outro ponto hoje. Segundo o gerente regional, a intervenção deve sanar o problema, mas ele admitiu no ar que resíduos acumulados na tubulação ainda podem fazer com que a água saia escura em algumas residências nas próximas horas.
Questionado pela reportagem sobre uma possível contaminação ou esgotamento do lençol freático na região que engloba bairros como Jardim Campo Grande e Jardim São Francisco, Adilson Bahia descartou a hipótese. Segundo ele, o problema operacional decorreu da substituição recente da bomba de um dos três poços que atendem aquela localidade. Por precaução, esse poço específico foi paralisado, mantendo o abastecimento temporário por meio dos outros dois sistemas.
Uma das maiores preocupações levadas pelos ouvintes da Nossa FM diz respeito aos danos materiais dentro das residências, como caixas d'água tomadas pela lama e eletrodomésticos danificados. O gerente da Sanesul orientou os moradores a esvaziar e limpar seus reservatórios, mas declarou que, para haver qualquer tipo de ressarcimento financeiro, o consumidor "precisa provar" que o dano foi causado diretamente pela concessionária.
No entanto, do ponto de vista jurídico, a regra é diferente. De acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC) e a jurisprudência consolidada pelos Tribunais de Justiça e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), as concessionárias de serviço público respondem por responsabilidade objetiva. Isso significa que a empresa tem o dever de reparar os danos causados independentemente da existência de culpa, já que a água é um serviço essencial e deve ser fornecida com qualidade e continuidade.
Para o consumidor obter o ressarcimento de despesas (como o custo médio de R$ 200 para a limpeza da caixa d'água ou conserto de filtros e máquinas de lavar), a recomendação jurídica é:
Ao ser cobrado na entrevista sobre o histórico de falta de água frequente em Bataguassu, o gerente regional justificou que um novo poço foi perfurado recentemente para tentar dar vazão à demanda. Bahia atribuiu parte das interrupções do sistema a falhas no fornecimento de energia elétrica por parte da concessionária Energisa, mas garantiu aos ouvintes que há um planejamento em harmonia para a ampliação estrutural do abastecimento na região afetada. Ele reforçou o pedido para que a população utilize o canal oficial da empresa sempre que houver problemas, para que a informação chegue o quanto antes.
Ao final da transmissão, o presidente da Câmara, Enivaldo Marques, utilizou o espaço da emissora para mandar um recado claro à população e à concessionária. "Os vereadores não vão cruzar os braços. A Câmara Municipal continuará monitorando rigorosamente cada ação e cobrando com força total para que o cidadão de Bataguassu receba um serviço digno e pelo qual ele paga pontualmente", concluiu o chefe do Legislativo, chancelando o papel fiscalizador do parlamento e a importância do rádio como porta-voz da comunidade.
A entrevista completa está disponível na página da Nossa FM no Facebook. Clique aqui para acessar a live na íntegra.