
Em uma resposta rápida que mobilizou toda a estrutura da Polícia Civil de Eldorado (MS), os três autores da violação do túmulo de Vera Lúcia da Silva, de 41 anos, foram presos e confessaram a prática de necrofilia. O crime, que ocorreu dois dias após o sepultamento da servidora municipal — também vítima de feminicídio — chocou o estado pela frieza dos detalhes revelados em depoimento.
A investigação da Delegacia de Eldorado identificou os suspeitos em menos de 24 horas. Um dos homens tentou fugir para uma área de mata ao perceber a chegada dos policiais, sendo localizado durante a noite com o auxílio de drones. Na delegacia, ele não apenas confessou o abuso, como detalhou a participação de outros dois indivíduos: um colega de 16 anos e um terceiro cúmplice que já estava no cemitério.
O autor confesso, que trabalhava em um mercado local e usava tornozeleira eletrônica por tráfico de drogas, afirmou que o grupo retirou o corpo da sepultura após o menor de idade chutar a tampa do túmulo. Ele admitiu ter sido o primeiro a praticar o ato sexual com o cadáver, interrompendo a ação apenas por causa do mal cheiro.
Para a família, o horror parece não ter fim. Letícia Gabrielly, filha de Vera Lúcia, expressou a dor da família diante do caso: “Foi como enterrar minha mãe pela segunda vez”, desabafou. Vera já havia sido morta a tiros pelo ex-companheiro na frente da filha de apenas 9 anos, no último domingo.
Embora cause extrema repulsa, o caso de Eldorado não é isolado em Mato Grosso do Sul. Dados da Sejusp revelam que, entre 2021 e 2025, o estado registrou 17 ocorrências de vilipêndio de cadáver. Somente em 2023, foram seis casos distribuídos por cidades como Campo Grande, Itaquiraí e Mundo Novo, mostrando que esse tipo de perversão ocorre de forma recorrente em diversas regiões.
Os acusados agora respondem pelo crime de vilipêndio de cadáver, previsto no Código Penal. Eles permanecem detidos e aguardam a audiência de custódia, onde a Justiça decidirá pela manutenção da prisão preventiva.