
Seis trabalhadores de nacionalidade paraguaia, dois deles adolescentes, foram resgatados de uma lavoura de mandioca em Nova Casa Verde, distrito de Nova Andradina. Eles eram submetidos a condições de trabalho análogas à escravidão.
A denúncia que levou ao resgate partiu dos próprios adolescentes, que conseguiram fugir do local e relataram a situação às autoridades. A ação policial ocorreu nesta terça-feira (11). No local, os policiais encontraram os demais trabalhadores em atividade. O grupo realizava o corte e a limpeza da plantação.
Nenhum dos trabalhadores utilizava Equipamento de Proteção Individual (EPI), manuseando facões e outras ferramentas. Eles também não tinham registro em carteira de trabalho ou qualquer vínculo empregatício formal.
De acordo com a polícia, o responsável pela lavoura, identificado como "gato", exercia vigilância sobre o grupo. Os trabalhadores paraguaios eram explorados de diversas formas: recebiam uma remuneração menor do que a paga a trabalhadores brasileiros exercendo a mesma função e o transporte para a lavoura era disponibilizado apenas no início e no fim do expediente, restringindo a liberdade de locomoção do grupo.
As condições de moradia eram consideradas degradantes. No alojamento, localizado na sede do distrito de Nova Casa Verde, a equipe policial encontrou cômodos improvisados, sem ventilação, banheiro ou saneamento básico. A água disponível não era apropriada para consumo e os trabalhadores eram obrigados a fazer as necessidades fisiológicas em buracos cavados no mato. Os colchões estavam espalhados diretamente no chão, em meio a muita sujeira.
A ocorrência foi registrada e encaminhada para a Polícia Federal. O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS) também foi acionado para tomar as medidas cabíveis.