
Duas cidades de Mato Grosso do Sul foram palco de feminicídios na noite de ontem (4), elevando para 34 o número de casos registrados no estado apenas em 2025. Os crimes, que tiveram vítimas em Aparecida do Taboado e Jardim, revelam a face cruel da violência contra a mulher e expõem a escalada de agressões na região, que já somam 18 mil vítimas no mesmo período.
Em Aparecida do Taboado, Maria Aparecida do Nascimento Gonçalves, de 43 anos, foi morta com um golpe de faca no pescoço, no Jardim Redentora. A versão inicial contada à Polícia Militar por seu filho, Gabriel Gonçalves Ferreira, de 18 anos, e o amigo que morava na casa, Carlos Henrique Dantas, de 20 anos, era confusa.
Carlos alegou que um homem, com uma camiseta vermelha enrolada na cabeça, invadiu a residência em busca da vítima e a atingiu no pescoço assim que ela saiu para verificar a situação.
Ao chegar ao local, a PM encontrou os rapazes na calçada, enquanto o Corpo de Bombeiros confirmava a morte da vítima. Durante a perícia, a polícia encontrou uma camiseta azul com vestígios de sangue no quarto dos suspeitos. A faca usada no crime foi localizada sob o banco de uma motocicleta estacionada na varanda.
Apesar de negarem o crime, Gabriel e Carlos foram presos como principais suspeitos de feminicídio. A Polícia Civil investiga o que teria motivado a morte de Maria, já que nenhum dos presos possuía passagens anteriores.

A cidade de Jardim registrou o segundo feminicídio da noite. Aline Silva, de 26 anos, foi brutalmente esfaqueada pelo ex-companheiro. O crime ocorreu na frente da filha de apenas 6 anos.
O suspeito, que não aceitava o fim do relacionamento de dois anos, vinha ameaçando Aline por mensagens e rondando sua residência. A tragédia se consumou quando ele arrombou a porta da casa, chamou a jovem para fora e a atacou com mais de cinco facadas. A mãe e a filha da vítima estavam na residência no momento do assassinato. O ex-companheiro foi preso.

As mortes de Maria Aparecida e Aline reforçam a gravidade da violência de gênero em Mato Grosso do Sul. Com 34 feminicídios em 2025 e 18 mil mulheres vítimas de violência doméstica no mesmo período, as estatísticas são um grito de alerta para a necessidade urgente de políticas públicas de proteção e combate a esta modalidade de crime.