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Falta de peixes no Rio Paraná leva órgãos ambientais a investigar estação da Cesp
A Companhia não realiza a soltura de alevinos há pelo menos 12 anos
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Foto: reprodução

A Câmara Municipal de Paulicéia (SP) solicitou a ação de órgãos ambientais para investigar a Estação de Piscicultura da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), em Castilho (SP). Essa estação, que antes funcionava como laboratório de alevinos (peixes jovens), está desativada há mais de uma década.

A solicitação foi formalizada por meio de um ofício enviado ao Ministério Público do Estado de São Paulo, ao Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul, ao Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e à Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

Segundo a Câmara Municipal, a estação não realiza a soltura de alevinos há pelo menos 12 anos. Além disso, não há informações sobre o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) ou o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) relacionados à quantidade de peixes no Rio Paraná.

Local onde fica a Estação de Piscicultura da Cesp - Foto: Google

Municípios como Paulicéia, situados às margens do Rio Paraná, são diretamente afetados pela inatividade da estação da Cesp. A economia local e a principal fonte de renda desses municípios dependem das atividades relacionadas ao rio, especialmente o turismo e a pesca, tanto esportiva quanto profissional. O trecho em questão está sob a influência do reservatório formado pela Usina Hidrelétrica de Porto Primavera, em Rosana.

O pescador profissional Alcebiades Souza Filho, de 58 anos, morador de Paulicéia, relatou que as espécies nativas da Bacia do Rio Paraná estão quase extintas, prejudicando severamente aqueles que vivem da pesca na região.

Ele explicou que, antigamente, pescavam-se espécies como Mandi, Armal, Curimba e Pintado. Souza Filho afirmou que hoje essas espécies são raras ou inexistentes. Ele e outros pescadores sobrevivem com o que restou das espécies naturais do rio e com a pesca de espécies exóticas que surgiram, o que deteriora o ecossistema nativo.

Ele detalhou que as espécies nativas estão muito escassas e que, atualmente, dependem mais de peixes como Piau-banana, Corvina e Porquinho, que não são nativas do Rio Paraná.

O pescador também alertou que diversas espécies de piranhas estão se reproduzindo de forma descontrolada na bacia do rio, impactando as atividades de pesca, pois as piranhas devoram os peixes que seriam a fonte de renda da população.

Souza Filho lamentou que, com a transformação do rio em um lago, tornou-se difícil pescar peixes grandes. Se uma isca viva é utilizada, as piranhas a consomem antes que chegue ao fundo.

A piranha-amarela é nativa da Bacia do Rio Paraná. No entanto, a piranha-branca, uma espécie invasora que vivia em pequenos cardumes em águas profundas, tornou-se mais abundante após a construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, que eliminou uma barreira natural rio acima. O pescador enfatizou que a piranha dominou o rio e, por conta disso, não há mais alevinos e peixes jovens.

Souza Filho afirmou que a única solução para o problema é a reativação do laboratório de piscicultura da CESP. Isso se deve ao fato de que as espécies nativas não se reproduzem mais de forma natural, e as espécies exóticas, como o tucunaré, originário da Bacia Amazônica, devoram os alevinos.

O pescador Élio da Silva, de 59 anos, de Rosana, concordou que a quantidade de peixes diminuiu drasticamente nos últimos anos, gerando um grande impacto para quem depende da pesca para sobreviver.

Ele explicou que os peixes mais pescados na bacia eram curimba, cascudo e armal, mas agora estão escassos. Silva, que mora no local há 25 anos, afirmou que o impacto foi grande e muitas espécies desapareceram. As variações nos níveis da barragem também influenciam muito, segundo ele, pois os peixes vão para a parte funda e não voltam.

Djalma Weffort, presidente da Associação em Defesa do Rio Paraná (Apoena), declarou que a entidade é favorável à soltura de alevinos. No entanto, expressou preocupação com o desequilíbrio ecológico causado pela introdução de peixes de outras regiões no Rio Paraná.

Weffort também alertou sobre os critérios de soltura. Segundo ele, é preciso selecionar as espécies nativas juvenis, pois os alevinos são devorados pelos peixes maiores, principalmente pelo ataque do tucunaré.

Estação de piscicultura da Cesp em Castilho (SP) - Foto: Google

Em nota, a Cesp informou que a suspensão do programa de peixamento na Estação de Piscicultura de Castilho foi uma recomendação de especialistas, feita durante o processo de licenciamento ambiental da Usina Hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta. O Ibama acatou essa recomendação com base nas conclusões técnicas e a suspensão continua válida até a conclusão de estudos complementares, sem prazo para ocorrer.

fonte: Redação / Com informações do G1

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